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A doutrina social da Igreja, além dos princípios que devem presidir à edificação de uma sociedade digna do homem, indica também valores fundamentais. A relação entre princípios e valores é indubitavelmente de reciprocidade, na medida em que os valores sociais expressam o apreço que se deve atribuir àqueles determinados aspectos do bem moral que os princípios se propõem conseguir, oferecendo-se como pontos de referência para a oportuna estruturação e a condução ordenada da vida social. Os valores requerem, portanto, quer a prática dos princípios fundamentais da vida social, quer o exercício pessoal das virtudes e, consequentemente, das atitudes morais correspondentes aos próprios valores426. Todos os valores sociais são inerentes à dignidade da pessoa humana, da qual favorecem o autêntico desenvolvimento e são, essencialmente: a verdade, a liberdade, a justiça, o amor 427. A sua prática constitui a via segura e necessária para alcançar um aperfeiçoamento pessoal e uma convivência social mais humana; eles constituem a referência imprescindível para os responsáveis pela coisa pública, chamados a realizar «as reformas substanciais das estruturas económicas, políticas, culturais e tecnológicas e as mudanças necessárias nas instituições»428. O respeito pela legítima autonomia das realidades terrenas faz com que a Igreja não se reserve competências específicas de ordem técnica ou temporal429, mas não a impede de se pronunciar para mostrar como, nas diferentes opções do homem, tais valores são afirmados ou, pelo contrário, negados430.
426 Cf. Catecismo da Igreja Católica, n.º 1886. 427 Cf. CONCÍLIO VATICANO II, const. past. Gaudium et Spes, n.º 26, AAS 58, 1966, p. 1046-1047; JOÃO XXIII, carta encícl. Pacem in Terris, AAS 55, 1963, p. 265-266. 428 CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA, Orientações para o Estudo e o Ensino da Doutrina Social da Igreja na Formação Sacerdotal, n.º 43, Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano, 1988, p. 43-44. 429 Cf. CONCÍLIO VATICANO II, const. past. Gaudium et Spes, n.º 36, AAS 58, 1966, p. 1053-1054. 430 Cf. CONCÍLIO VATICANO II, const. past. Gaudium et Spes, n.º 1, AAS 58, 1966, p. 1025-1026; PAULO VI, carta encícl. Populorum Progressio, n.º 13, AAS 59, 1967, p. 263-264.

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