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      A ALEGRIAIr. Mónica

Irmãzinha Mónica partilha um pouco da sua vida

A alegria, fomos todos criados para ela! Nasceu connosco, e não parou de crescer. Está depositada dentro de nós, apesar de todo o negativo da vida e do joio misturado com o nosso trigo.

Ela é o coração agradecido pelo dom da existência. Optar por ela a alegria - é optar pela vida toda , incondicionalmente. Optar por ela - a alegria - é optar pela relação, sem excluir ninguém
(cf. Jo 3,17).

Acredito. Fiz e faço a experiência de já a saborear... neste gostar da vida toda, também com os seus sofrimentos e dificuldades.

Tecido bordado no Chilé

Escrever sobre ela, é algo que nos ultrapassa. Mas dizer que sou filha de Deus querida, conhecida, encontrada e desejada, isso posso fazer!

Lembro-me tão bem - como de um "acontecimento-fonte" - dessa noite no meu quarto, tinha então 17 anos, quando estava a apontar os contactos que tivera durante o dia no meu "caderno de relaçÕes" (fazia parte de uma equipa da JOC), e encontrei na minha Biblia esta passagem: "Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus.

E somo-lo de facto." (1Jo 3,1) Ainda hoje me vejo a sentir a alegria que me invadiu e me fez dançar à volta da mesa, assombrada com esta fulgurante realidade. Foi um sentimento, uma tomada de consciência, que se apoderou de mim para sempre.


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orque a alegria está dentro de mim, como uma presença, uma filiação, uma herança "que ainda não se manifestou plenamente" (1Jo 3,2), mas que desabrocha cada vez que O acolhe, acolhendo o irmão do mesmo jeito.

Maria vende roupa. As crianças ajudam-na!Hoje, neste bairro de imigrantes africanos onde fomos acolhidas, um sítio em que a exclusão é gritante, é no nosso cotidiano, na nossa simples e banal vida de Nazaré, que estão lançadas as sementes da nossa alegria; é neste sentir e sofrer com eles que nos é dada a alegria sem medida (cf. Jo 3,34), larga, profunda - as dimensões da Encarnação.

CANÁ - a gente conhece!

há batizado no bairro. Ir.Maria-Monserrat participa na preparação da festa

Os nossos amigos sabem tão bem fazer surgir a festa, a música, a dança. A convivialidade transforma a vida insipida em saborosos momentos de vizinhança.

 

Alegria - quando a Jaquelina (21 anos), orgulhosa, nos mostra o seu caderno do ensino recorrente; quando a Sónia, acamada há longo tempo, nos confia o seu desejo de aprender a ler; quando o João e o Jacinto decidem ir à Câmara para que o entulho das barracas recentemente derrubadas não fique ainda mais tempo por remover, deprimindo-nos; quando, graças ao apoio escolar organizado no bairro, as crianças podem regressar felizes à escola, no dia seguinte, com os trabalhos de casa bem feitos. Ou, então, a tão esperada alegria da Justiniana que, após cinco anos, recebeu finalmente os documentos.

Ir. Lazzarina fala com a Luisa que volta  do quintal
Que alegria, quando a Augusta e a Susana voltam das terras à beira da auto-estrada que cultivam, com sacos cheios de favas e ervilhas em cima da cabeça. A colheita é abundante, a recordação e as saudades de Cabo Verde também, e acompanham a sua partilha connosco. E, então, a sua alegria, por contágio, é igualmente a nossa!

Somos felizes por eles e por estar corn eles. Há um mistério profundo de relações que se criam e são fonte da nossa alegria. Existimos juntos. É nossa convicção que não podemos ter alegria sem o Outro e sem os outros.

Por isso, Te bendizemos óPai! (cf. Mt 11,25). 
  o bairro