XXX  ASSEMBLEIA  INTERDIOCESANA
Renovamento Carismático Católico de Portugal

O Encontro Nacional do Renovamento realizado no Centro Paulo VI, em Fátima, de 31 de Agosto a 2 de Setembro, foi precedido de uma Acção de Formação para Líderes do Renovamento Carismático de Portugal.
Ambos os eventos foram orientados pelo conferencista Allan Panozza, da Austrália, que abraçou a espiritualidade carismática há 29 anos, conjuntamente com sua esposa Camel. Desde há 28 anos que é Presidente do Renovamento Carismático Católico na Austrália.
Pertenceu ao Conselho do ICCRS – Secretariado Internacional do Renovamento Carismático Católico – durante 17 anos e foi Presidente do ICCRS nestes últimos 7 anos. Actualmente continua como consultor do ICCRS.
Foi nomeado pelo Papa membro do Conselho Pontifício para os Leigos.

 

 

I – ASSEMBLEIA INTERDIOCESANA DO RCC

Tema da Assembleia: JESUS CRISTO É A NOSSA ESPERANÇA!

 “Para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo” – Rom 15, 13

Assembleia decorreu nos dias 31 de Agosto até ao dia 2 de Setembro, com a participação do Senhor Bispo de Aveiro D. António Francisco dos Santos, do Padre Professor Doutor Luís Archer, Assistente Nacional do RCC, vários Sacerdotes, Diáconos e irmãos que encheram completamente o anfiteatro do Centro Paulo VI.

As três conferências ‘Por Maria vamos a Cristo, nossa Esperança’; ‘O Renovamento centrado em Cristo, nossa Esperança’; e ‘O Renovamento, sinal de Esperança para o mundo actual’ foram orientadas por Allan Panozza, conselheiro do ICCRS.



Jesus Cristo é a Nossa Esperança

Reunimo-nos, irmãos e irmãs, em numerosa assembleia cristã, vindos de todo o país, movidos pelo Espírito Santo, para celebrarmos aqui em Fátima, altar do mundo, o encontro anual do Renovamento Carismático. Assinalamos, também, desta forma os 40 anos do Renovamento no mundo. Este Encontro Nacional é, assim, para cada um de nós um acontecimento jubilar.
A Eucaristia como sempre e em tudo na vida e na missão da Igreja é o centro e o vértice da nossa fé, da nossa vida cristã e do dinamismo do nosso agir de apóstolos e de discípulos de Jesus, o Mestre.
É do Cenáculo, onde se celebrou a última Ceia, que recebemos o mandato de Jesus: «Fazei isto em memória de mim». É igualmente do Cenáculo que, na manhã do domingo de Pentecostes depois de terem recebido o Espírito Santo, partem os discípulos em missão.
Fortalecida pela Palavra de Deus, permanentemente proclamada e acolhida; alimentada pelo Pão da vida abundantemente repartido; sustentada pela alegria da Páscoa continuamente celebrada, a Igreja depois do Pentecostes passou a viver o tempo do Espírito Santo.
A presença e a acção do Espírito Santo sentem-se hoje muito vivas, sensíveis e eficazes nas pessoas e nos movimentos apostólicos que vivem e nos ajudam a viver como discípulos de Jesus, à maneira dos Apóstolos. Como na manhã de Pentecostes! Como se fossem horas de Pentecostes todas as manhãs dos dias da Igreja! Para que sejam inspiradas e guiadas pelo Espírito todas as iniciativas e decisões da Igreja!
Esta é, também, a missão do Renovamento Carismático na vida de cada um de nós e na vida das nossas Igrejas Diocesanas: descobrir, celebrar e testemunhar o milagre permanente do Pentecostes que vence todos os medos, modela todas as almas e nos impele para agir em nome de Cristo, vivo e ressuscitado, como discípulos e missionários, numa largueza de horizontes que desfaz todos os obstáculos e barreiras.
Todos nós aprendemos isto de Deus, como nos lembrava São Paulo na sua Carta aos cristãos de Tessalónica. E como ele quero afirmar que deste modo procedais com os irmãos de cada Igreja Diocesana, distribuindo generosamente por todos os dons e os carismas do Espírito do Senhor.
Exorto-vos, a exemplo de São Paulo, a progredir cada vez mais, tendo como ponto de honra viver e construir o amor e a paz que será sempre o sinal e o critério de que tudo o que somos e fazemos é fruto e dom do Espírito Santo (1Tess.4,9-11).
Escutamos com renovado encanto e redobrado interesse no contexto desta celebração jubilar e deste encontro nacional a parábola dos talentos. A alegria que aqui se celebra, proclama e testemunha esta alegria da fidelidade humilde, serena e perseverante que faz render os talentos que Deus nos confiou: «Foste fiel em coisas pequenas, dar-te-ei as grandes: vem tomar parte na alegria de teu Senhor» (Mt.25,14-30).
É esta alegria da fidelidade fecunda e multiplicadora que abre em permanência novos caminhos à evangelização e brota com espontânea naturalidade da pedagogia própria do renovamento carismático que consiste na descoberta do Espírito de Jesus Cristo vivo e ressuscitado que nos move a rezar, a confiar e a servir com verdadeiro espírito de alegria pascal. Somos servidores da vossa alegria Senhor! Enviados a transformar em dons e carismas de amor e de bênção os talentos que nos confiastes para multiplicar!
Sabemos Senhor, que é imenso o trabalho a realizar e longo o caminho a percorrer, como pessoas e como grupos. Em humildade e em verdade. Como fermento que leveda. Como semente que germina. Como talento que se multiplica. Como grupo que irradia. Como movimento apostólico que cresce.
Assim, com este mesmo espírito, nasceu há quarenta anos na Igreja, em tempo de promissora e necessária renovação conciliar, o Renovamento Carismático Católico, como impulso de renovação da graça do Pentecostes, caminho de renovação da Igreja e interpelação para a urgência de uma nova evangelização.
A descoberta de que o Espírito Santo é a alma da Igreja, a consciência de que a força das primitivas comunidades cristãs teve origem no Espírito de Pentecostes, a certeza em tantos momentos encontrada na força da oração, o horizonte imenso do bem a fazer e da nossa missão apostólica de baptizados a cumprir fizeram surgir no retiro realizado de 17 a 19 de Fevereiro de 1967 por um grupo de estudantes universitários da Pensilvânia, o Renovamento Carismático.
A afirmação emblemática de que o «Renovamento Carismático não é um movimento da Igreja mas sim a Igreja em movimento», ajuda-nos a compreender como nos dizia o Papa Paulo VI que a «Igreja precisa do seu eterno Pentecostes: precisa de fogo no seu coração, de palavras na sua boca, de profecias no seu olhar» (Paulo VI, 1972), para que Jesus Cristo seja a nossa esperança e fonte de vida e de esperança para o mundo.
Este é o grande dom que o mundo espera da Igreja. Esta é a missão que a Igreja vos confia e que o Espírito Santo vos comunica. O bem que o Espírito de Deus por vós realizou no mundo nestes quarenta anos e em Portugal desde 1975 faz deste dia um grande momento de acção de graças e desta hora uma abençoada oportunidade de «pela efusão do Espírito Santo», como experiência de verdadeiro e perene Pentecostes vos enviar em missão, com renovada confiança e sustentada coragem em ordem a:
- à redescoberta da pessoa viva e vivificante de Jesus, fonte de esperança, salvador do mundo, ontem, hoje e sempre;
- ao reencontro filial, confiante e feliz com Deus Pai;
- ao gosto pela oração pessoal e comunitária, pelo louvor e pela adoração;
- ao apreço pela Palavra de Deus e à procura dos sacramentos;
- a uma maior fidelidade à Igreja e a um desabrochar jovem e generoso de vocações para a vida sacerdotal, religiosa e consagrada, pela intercessão de Santa Beatriz da Silva que hoje celebramos;
- a uma liberdade interior que nos deixe modelar, converter e transformar por Deus, no seu amor misericordioso, e pelos irmãos a quem devemos um esforço de vivência comunitária e de comunhão fraterna.

A força nova que este testemunho exige e que esta missão implica, encontramo-la no exemplo e recebemo-la pela intercessão de Maria, também ela presente na manhã de Pentecostes e em todas as manhãs dos dias da vida da Igreja. Que Ela que sempre se guiou pela força do Espírito Santo nos abençoe, conduza e proteja. Ámen.

† António Francisco do Santos, Bispo de Aveiro.


Homilia da Eucaristia da Assembleia Interdiocesana, dia 1 de Setembro.


 

A Eucaristia de domingo, dia 2 de Setembro, encerramento da Assembleia, foi presidida pelo Assistente Nacional, Pe. Doutor Professor Luís Archer que na homilia catequizou a Assembleia sobre a humildade, a necessidade de sua vivência para sermos testemunhos da verdade que anunciamos em nome do Senhor.
Apresentou Jesus Cristo como a nossa esperança e apelou à renovação da fé como dom de Deus em cada um de nós, acreditando verdadeiramente no Senhor a Quem nada é impossível.
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II - Acção de Formação

Durante dois dias, os participantes inscritos, reunidos no Salão do Bom Pastor, foram interpelados sobre o que o Espírito Santo está a pedir a cada um sobre o Renovamento Carismático.
Há muitos carismas, mas um só Espírito. A experiência da Efusão do Espírito e a alegria vêem do Espírito Santo. Quem está como líder no RCC deve pedir uma alegria verdadeira de coração, porque a alegria é contagiosa.
O que o Espírito Santo me pede no RCC?
O Espírito fala-nos continuamente de Jesus. Temos que caminhar atrás de Jesus com os olhos fixos n’Ele. Temos de tomar decisões dolorosas. O Espírito Santo chama-nos constantemente a mudar a nossa direcção. Como líder necessito ter os ouvidos abertos para ouvir a voz do Espírito Santo. Julgamos que sempre temos razão, mas será o Espírito que nos revelará a verdadeira razão. Ele está sempre a mudar a minha direcção. Porque somos humanos e como tal temos instintos humanos.
A questão é que pensamos que temos sempre razão, mas só se estivermos a escutar o Espírito e a deixarmo-nos guiar por Ele é que podemos seguir, caso contrário haverá uma grande colisão.

Temos que ser fortes e capazes. O Papa João Paulo II sabia que o Espírito Santo tinha ainda muita coisa para fazer. Não interessa quanta fé tenhamos, quanto bons sejamos, o Espírito Santo quer fazer sempre mais e mais coisas.
Se olharmos para Jesus o grande líder vemos que Ele antes de iniciar o seu ministério foi baptizado no rio Jordão. Jesus dependia da escuta do que o Pai lhe pedia, estava sempre aberto ao que o Espírito Lhe dizia, também os Apóstolos foram ungidos antes de irem em missão (Pentecostes) e olhamos para eles e pensamos que extraordinários eram, mas não são diferentes de nós.
Mc 9 – ler.
(....) Este que seguimos vai ser morto? Vai ser levado da nossa companhia? E depois vai ressuscitar? O que é que isto quer dizer?
Nós talvez nos questionássemos sobre isso, mas os Apóstolos discutiram quem era o maior, e quando Jesus os questiona eles ficam em silêncio, mas apesar disso Jesus sabia o que tinham discutido durante o caminho e por isso lhes diz que se querem ser líderes do Seu povo têm que ser como as crianças.
Se somos líderes de grupos temos de ser como crianças – que necessitam ser orientadas pela mãe -, assim nós temos de ser orientados pelo Espírito Santo.

O Renovamento Carismático proclama como
dom dado à Igreja a efusão do Espírito Santo
 
A Efusão acima de tudo leva-nos a uma relação mais forte e profunda com Jesus. Somos ungidos pelo Espírito para a construção do Reino de Cristo. Não interessa o ministério a menos que tenhamos uma relação profunda com Jesus. Só se a nossa vida testemunhar aquilo em que acreditamos é que a nossa pregação tem força. Temos de deixar o Espírito orientar-nos

Jesus está a dizer-nos: O que é que queres que Eu te faça?
A esta questão que o Senhor nos coloca, o mais importante é a nossa resposta.
Quando rezamos pelos dons do Espírito Santo devemos pedir em primeiro a coragem, porque há alturas em que estaremos na cruz; outro é o dom de conhecer a voz do Espírito e isso é discernimento, e o melhor discernimento é quando um núcleo-líderes funcionam como um corpo através das palavras dos outros elementos, e isto é discernimento. É por isso que existe um núcleo num grupo, pessoas que usam os dons do Espírito para o discernimento.
Ele está sempre a mudar de direcção.
Porque somos humanos e como tal temos instintos humanos. A questão é que pensamos que temos sempre razão, mas só se tivermos a escutar o Espírito e a deixarmo-nos guiar por Ele é que podemos seguir, caso contrário haverá uma grande colisão. É importante que nos encontremos, cada um tem um dom e no conjunto temos vários dons ao serviço da comunidade. Daqui a importância da reunião semanal do núcleo para além da reunião semanal do grupo. É muito importante crescermos juntos e respeitarmos os dons dos outros. Quando nos reunimos em conjunto todos os dons estão presentes.
Jo 15 - ler
Quando foi da multiplicação dos pães Jesus abençoou e mandou o pouco ser distribuído, não deu muito, mas pouco e os Apóstolos distribuíram e tornou-se muito.
Quando entregamos a Jesus o pouco que temos ele abençoa e dá-nos de volta e diz-nos agora vai e distribui, porque entregamos e confiamos no Senhor e vivemos na providência de Deus. O Senhor providenciará para nós quando acreditamos na providência.

Como o corpo, como grupo é importante permanecermos em união.
Um padre jesuíta disse que o demónio tinha 3 alvos para nos dividir e causar disputas:
1 – atacar os Padres
2 – atacar os Religiosos
3 – atacar os Líderes do RCC.
Se nos comportarmos desse modo, será difícil o Espírito Santo tocar o nosso coração.

Caminhar segundo a
Luz do Espírito

Em Gal. 5, 13  (...) S. Paulo fala ao povo. Caminhar segundo a luz do Espírito Santo, mas a questão é como saberei isso?
É pelos frutos do Espírito que podemos discernir. Frutos do Espírito Santo (...).
A beleza do grupo de oração é as pessoas serem acolhidas como são. O coração do RCC é o transformar das pessoas pelo Espírito Santo que actua através de cada um de nós.
Quando alguém entra no grupo de oração as pessoas devem sentir-se aceites como elas são. O que faria Jesus? Os frutos do Espírito transparecem no grupo.
Isto é o renovamento Carismático transformando as nossas vidas e a dos irmãos.

A importância no nosso

Compromisso com Jesus

Perguntas
1 – Jesus diz: O que é que tu queres que Eu faça por ti?
2 – Como estou a usar os dons do Espírito enquanto líder do RCC? Estou com eles a chamar a atenção para mim? Como é que respondo ao chamamento para me deixar reacender pelo fogo do Espírito Santo?
3 – Há alguma coisa na minha vida que esteja a bloquear o chamamento de Jesus na minha vida?

O Senhor ama-me

E confia em mim

2 Cor 12, 7-10 (...)
A maneira mais poderosa para rezar é estar ciente da presença de Jesus e dizer: ‘Jesus eu dou-Te o poder de me amares’ (principalmente diante do Santíssimo). E isto não é ridículo porque eu sou livre e posso acolher ou rejeitar Jesus.
Sempre que falarem entreguem essa falha ao Senhor como oração. Todos somos chamados a ser santos no RCC. Ser santos é tornarmo-nos mais semelhantes àquele que amamos, é sermos semelhantes a Jesus.
A principal razão para um grupo acabar ou correr mal é porque os carismas não são exercidos.
O Senhor ama-me e confia em mim. Isto são dons da Efusão do Espírito Santo.
Lc 1, 37
No tempo devido, talvez não no nosso tempo, o RCC espalhar-se-á por toda a Igreja e usar-se-ão todos os carismas. É como se estivéssemos a viver os Actos dos Apóstolos.

Dons do Espírito

 

No Novo Testamento os dons são mencionados em 3 pontos: Rom. 12, 6 e seg; Ef. 4, 11. Os dons brotam basicamente do coração e não da cabeça.; 1Cor. 12, 4-11.
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Nós fomos chamados a uma liderança cristã!
Fomos chamados a viver umas vidas santas!
A Efusão do Espírito implica uma renovação das nossas vidas!
190 millões de pessoas, segundo o recenseamento de 2001, constituem o Renovamento Carismático Católico no mundo.
O Renovamento Carismático é como onda do Espírito Santo que atravessa o mundo inteiro, porque o seu fundador é o Espírito Santo.