Durante uma semana eu e mais alguns jovens trabalhamos como voluntários no Centro João Paulo II, em Fátima. É um centro de acolhimento e apoio a deficientes mentais e motores profundos.
Quando cheguei não tinha noção daquilo que ia viver, sentir e aprender. Pensava que ia dar o meu tempo àqueles “meninos”, como nós lhes chamamos, e afinal fui receber muito mais. Durante estes dias vivi experiências muito marcantes. Vou apenas contar algumas. Num dia de manhã, quando eu e outro voluntário passeávamos dois “meninos”, decidimos cantar-lhes uma canção para os distrair. Enquanto cantávamos eles olhavam fixamente para nós com um olhar tão meigo e um sorriso tão lindo, transmitindo-nos o seu amor e gratidão.
Outra experiência de amor que me marcou aconteceu com outros dois “meninos”, o Ricardo e a Carla, que pertencem à minoria dos que falam, e diziam que eram namorados. Um dos dias em que estávamos na rua, a Carla não queria estar parada e fui então passeá-la com o Ricardo de mão dada. Durante o passeio reparei que não paravam de se olhar adorando-se um ao outro. Depois de várias horas, pus-me a pensar no sucedido e concluí que no amor não existem barreiras…
Reparei durante esses dias que durante a refeição os meninos me transmitiam tranquilidade, muita paz e acima de tudo muita paciência, isto porque eles mastigavam muito lentamente, demorando muitos deles uma hora a comer. À noite nós, voluntários, tínhamos um momento de oração e partilha que nos ajudou não só a aliviar o “stress” como também proporcionou a criação de grandes laços de amizade entre nós. Queria também salientar que não faltaram momentos de bom humor aumentando assim a entreajuda e compreensão entre todos.
Para mim esta semana de voluntariado foi de certeza a semana em que cresci mais a nível pessoal. Primeiro porque aprendi a encontrar no outro o rosto de Deus e, por outro lado, ao conviver com estes “meninos” senti que de dia para dia a grande incapacidade de os compreender e comunicar com eles foi diminuindo. Aprendi a amá-los e a compreendê-los cada dia mais e mais, não colocando barreiras nem fronteiras, porque só assim consigo encontrar o verdadeiro sentido para a vida.
Voluntariado Missionário | Pedro Agostinho| 29/09/2003 | 22:19 | 2261 Caracteres |